Em Minhas Memórias Afetivas, o promotor de Justiça Luís Augusto de Rezende Pena revisita episódios de sua trajetória e registra lembranças de um tempo anterior às redes sociais e aos smartphones.
As recordações descritas no livro remetem a uma sociabilidade marcada pela presença física, com brincadeiras de rua como pipa, pique-esconde e carrinho de rolimã.
A narrativa percorre a infância e a adolescência do autor em Ouro Branco, Minas Gerais, durante os anos 1980. Pena é promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais e titular da 6ª Promotoria de Justiça de Sete Lagoas.

Publicado pela Editora Dialética, o volume tem 288 páginas e reúne relatos sobre a rotina familiar, as amizades na vizinhança e na escola e a passagem do tempo.
Infância e adolescência em Ouro Branco nos anos 1980
Ao organizar as lembranças em Minhas Memórias Afetivas, Luís Augusto de Rezende Pena parte da própria trajetória para compor um retrato que também remete a experiências compartilhadas por sua geração. A narrativa reúne episódios pessoais e recupera formas de convivência anteriores às relações mediadas por algoritmos.
O autor relaciona a escrita à chamada “crise cinquentenária” e à sensação de se encontrar entre passado, presente e futuro. No livro, explica que voltar às recordações foi uma tentativa de preservar experiências vividas e as pessoas que contribuíram para sua formação.
Essa motivação dá às memórias um alcance que ultrapassa a rememoração de episódios da infância e da adolescência. As vivências de Pena são apresentadas como parte de uma lembrança coletiva de um período em que as trocas cotidianas se davam pela presença e pela convivência.
Memórias familiares e vínculos que atravessam o tempo
A história da mãe do autor, dona Antônia, ocupa lugar importante nesse registro familiar. Entre as lembranças preservadas está o “Café das Três”, encontro regular que ela promovia em casa com amigas, em torno de conversas e quitandas.
Com o declínio da saúde de dona Antônia, uma das poucas lembranças que permaneceram foi a saudade daqueles encontros. O relato aproxima a memória individual da rotina compartilhada pelas mulheres que se reuniam na casa da família.
Em 2024, o reencontro de antigos amigos mostrou a continuidade de vínculos construídos naquele período. Ao aproximar esse episódio das lembranças familiares, Minhas Memórias Afetivas contrapõe as relações baseadas na presença física às formas contemporâneas de interação.

